segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O EX-POETA

(iniciado em 1963 / em construção em agosto de 2016)


o antiverso
kantiana antinomia

o antes
             sem o depois
o depois
              sem o instante
o côncavo e o sexo
espelho sem reflexo
espera sem cansaço
sem aconchego no abraço

o traço

não o preenchimento

o vazio sem o devaneio
o convexo sem o meio
a dor sem o amor
e a esperança sem a tragédia
nada de mudança
nada de novos caminhos
nem atalhos

o supérfluo
e o penduricalho
da paixão ardente
só o borralho
a essência maculada
a idiotia endeusada
a lâmina sem samurai
haicai
sem
mônada

olímpico
eco:

       [vazio
                 zio
                       zio]

a vida por mais
                         ou menos
                                          q um fio


sábado, 8 de agosto de 2015

eu curto umas cidades
q nunca visitei
e outras tantas
em q estive
e por elas transitei
em q deixei
minhas pegadas
meu coração
e os meus versos.

eu curto umas cidades
e também umas pessoas

e quero conhecer ainda mais.

* * *

embora saiba como te perdi
desconheço como te conquistei.
decerto não esperava q eu fosse como sou.
eu ainda te espero ouvindo um soul.

* * *

dedos sob os óculos
maquinalmente
carros na esquina
agressivamente
e a janela aberta
às vozes das calçadas
– indolentes.

dói a cabeça
como a noite.
o vento não inventa
não há nada de açoite.
meu coração, eu calo,
ímpar sem o mesmo embalo.
minha lembrança até tenta

mas tua presença se esfumaça.

e eu aqui, diante da vidraça.

* * *

domingo, 26 de julho de 2015

as palavras ausentes...
resta-me senti-las,
na blogsfera
ou na espera
do reset.

à cata do q escrever
catando teclas no micro
me intrigo
na medida como me entrego
ao incerto.

tu tá tão perto,
putz!
como pode tal amor
permanecer assim
eu aqui, tu ali,
embora afins!

minhas condições,
minhas capacidades,
são cidades
abandonadas,
é certo.

entendo tua hesitação.

no momento,
abrigo em asas de beija-flor
beijos sem cumplicidade
e voos sem destino.

há um sino ao longe
e uma sina.

* * *

tu pouco me enxerga
e pouco me ouve
não fui o q tu esperava
ainda não sei o q houve

te amo
e sei q tu me ama
mas a cama
não vai resolver

* * *


sábado, 25 de julho de 2015

agora é só silêncio
e temo q assim será
quietude e saudade
não a quietude contemplativa
mas a incomodativa
nem a saudade q aquece
mas a q esquece

agora é silêncio.
além dos quilômetros q nos separam
outros impedimentos
: palavras q nos calam
: dores suores frios – estremecimentos.

talvez o meu silêncio
um dia reencontre o teu
e, na calma da alma,
nossos olhares digam mais
digam o q é meu,
o q é teu, o q é de nós dois.
q nossos olhares tragam a paz.

depois, bom, a gente vê o depois...


* * *



neblina e solidão.
maldito refrão
de mais um inverno
lembrando de ti.

mas
é pobre minha versão.

essa história de amor inatingível
é falível
e quase picaresca
é ridícula, grotesca,
e nada tem a ver com nós.

por isso, a poesia se cala.
ela se oculta no sentir.
se não expresso na palavra
é pq não posso deixar fluir
tudo o sinto por ti
em versos, em ramas.
ou rimas.
me calo no papel
e ergo meu silêncio ao céu
em ardor.



o meu amor.

* * *

terça-feira, 26 de maio de 2015

escrevi dois poemas ontem à noite.
não salvei, os perdi,
para o alívio dos renitentes leitores.

* * *

as palavras ausentes...

resta-me senti-las,
na poética blogsfera
ou na espera técnica
do reset.

em busca do q escrever,
catando teclas no micro,
me intrigo
na medida em q me entrego
ao incerto.

mas, por falar nisso,estamos tão perto,
putz!
como pode tal amor
permanecer assim!

é certo
q minha condição,
e minhas capacidades,
no momento,
são cidades
abandonadas.

aceito tua hesitação.

por ora,
abrigo em asas de beija-flor
beijos evanescentes
e voos sem destino
e sem marcada hora.

há um sino ao longe
e uma sina.

* * *

ao me preparar para dormir,
a chuva retardou meu movimento.

olhei-a mais um momento
e, de repente, senti,

o meu mais puro sentimento.

* * *


domingo, 5 de abril de 2015

BLUES

na solidão da noite escura
escrevo estes versos
em busca de minha cura.

reflito
sobre o dia
sobre tudo q se esconde
quando me sinto aflito

e fica tudo em aberto
e nada é certo
tudo é um momento
tudo tem seu tempo
e é assim
: tudo se esconde.
eu, em conflito, sobre o asfalto.

mas, tudo bem,
se eu falto,
fica o verso.

* * *

DOMINGO

chove.
meu amor está vindo

chapinhar nas calçadas
comigo

* * *

neblina de outono
versos
sem sono

* * *

a vontade de dormir
a vontade de sair de mim

a primeira me dá vontade
de construir uma nova trama
a segunda
de ir pra cama

pq sempre assim?


* * *

toca um blues.
eu já me sinto no balcão.
logo olho o relógio
e digo não.

ajeito as cobertas
acomodo os pesadelos
e aquele blues
fica.

toca de novo, pls!

* * *

VIRTUAL

tu me vê
eu te vejo

tu me toca
- eu também.

mas,
neste momento,
somos fantasmas
nestas noites quentes
de um outono quase irreconhecível.

e ainda sem uma solução
exequível.

* * *

encurralado
na esquina
na academia
nos bares
e nas rodovias

ambulâncias
e viaturas
com as sirenes
sob minha janela

q queria ouvir apenas as cigarras.

* * *

não basta o q vejo
por isso a poesia

*  * * 

há luminosidade
nas folhas depois da chuva
antes, apenas a brisa

* * *

eu, como ser transgênico,
me dou ao direito,
de me manter cínico

* * *